Organize suas fotos com tags e metadata

O que quero falar aqui vai chover no molhado pra muita gente. Mas mesmo pessoas que sabem do que estão falando ainda não adquiriram o hábito de usar esses dois importantíssimos recursos na fotografia digital. Portanto, é sempre bom lembrar.

Tags

Tags são etiquetas, palavras-chave ou marcadores. Para quem se sente à vontade na web 2.0 é um conceito antigo e já amplamente utilizado. Gmail, Delicious e Flickr são exemplos de serviços que perdem muito de sua força se não utilizarmos tags. Ao contrário de “categorias”,”álbuns” ou “pastas”, a estrura organizacional com a qual a maioria das pessoas estão acostumadas, tags são não-lineares. Ou seja, não existe necessariamente uma hierarquia entre as tags; um objeto (foto, arquivo, email, documento, etc) pode ter inúmeras tags, o que é impossível com pastas ou álbuns.

Com a fotografia digital, a quantidade de fotos que uma pessoa tira aumentou absurdamente. Mas o quanto de fato usamos essas fotos? Como as armazenamos? Não vou entrar aqui em técnicas de armazenamento físico (HDs, HDs externos, CDs, DVDs, etc) mas sim sobre organização básica. Simplesmente copiar as fotos da câmera para uma pasta não adianta. É preciso criar uma biblioteca das suas fotos. Eu sei, parece um saco. E é meio chato mesmo, mas quanto mais demorar para começar, mais vai se arrepender.

Montando sua biblioteca

Não use seu sistema operacional para organizar suas fotos. Para isso, use um programa específico para a tarefa, como o Adobe Bridge (incluido no Pacote CS), Adobe Lightroom (pago), iPhoto (só Macs) ou Picasa (Grátis), mas há inúmeros, pagos e gratuitos; provavelmente sua câmera veio com um software de biblioteca de imagens. Eu pessoalmente uso o Lightroom pois além dos recursos de organização, ele tem ferramentas de edição e finalização de fotos de altíssima qualidade. Não só isso como ele é capaz de indexar imagens que sequer estão no seu computador, você pode montar sua biblioteca usando fotos que estão em HDs externos, CDs, pen-drives e qualquer outra midia externa.

Vamos tomar um exemplo prático: Depois de uma viagem de fim de semana, importe suas fotos usando o programa de sua preferência (no meu caso, Lightooom).

Percebam a intimidade com a bola.

Ao fazer isso, coloque tags de acordo com as características da foto, como no caso dessa: “amigos, viagem, santos, são paulo, praia, mafra, futebol” e tantas outras forem cabíveis. Não seja pão-duro com as tags.

Inserindo tags/keywords no Lightroom

É possível selecionar várias fotos e colocar a mesma tag em várias ao mesmo tempo e também taguear algumas específicas, é indolor e rápido se você souber usar bem a interface disponível. Procure um programa que seja flexível e fácil de usar, que se adapte à você, não o contrário.

Depois de algum tempo você vai perceber como isso fará diferença. Ao querer achar aquela foto do seu amigo tomando uma birita, é só procurar as palavras chave “birita” e “fulano”. E pronto, qualquer foto marcada com essas duas palavras irão aparecer. É como um GettyImages pessoal.

É importante lembrar que não é bom deixar suas fotos no seu computador. Com os anos o tamanho em GBs ficará descomunal. O ideal é trabalhar com um HD externo e fazer backups em DVD’s ou CD’s de boa qualidade (não seja pão duro, se tem amor às suas fotos, guarde-as bem). Lembre-se também de guardar apenas o que é bom, se a foto ficou uma porcaria, não se acanhe em apagá-la, juntar fotos inúteis só acumula espaço na sua vida, e espaço em bytes custa caro. Por isso, certifique-se que o software grave as informações que você inputa no metadata/EXIF da foto, assim elas poderão ser interpretadas e resgatadas por qualquer programa no futuro.

Inserindo metadata no arquivo usando Lightroom

Inserindo metadata no arquivo usando Lightroom

Metadata

Não entendeu o que é metadata? Pois bem. O arquivo da foto, seja ele JPG, RAW ou qualquer outra coisa, contém inúmeras informações escondidas que não são visíveis ao se abrir a foto, mas podem ser interpretadas, visualizadas e editadas em programas específicos. Isso é metadata, ou dados EXIF. Data e hora de quando a foto foi feita, câmera usada, lente usada, abertura, diafragma, se o flash foi disparado ou não, se ela foi editada em algum programa, e muito mais. Muitas dessas informações são geradas automaticamente, e outras você pode editar e deixar gravado no arquivo para que possam ser lidas no futuro, e são bastante úteis.

EXIF da mesma foto vista no Photoshop [menu File > File Info

Uma delas são as keywords, que é onde são gravadas as tags mencionadas acima. Além disso você pode colocar título, nome de lugar onde foi tirada, autor e o status de copyright. Os softwares de biblioteca também são uteis para marcar essas informações, seja em batch (grupo) ou individualmente.

Compartilhe

Todas essas ferramentas são úteis não apenas para sua organização pessoal, mas também na hora de colocar suas fotos na web, compartilhando-as com o mundo. Nem preciso dizer que minha escolha para tal é o Flickr. Muita gente sobe fotos no Flickr e só. Usar as tags é um dos passos mais importantes para que suas fotos sejam encontradas e vistas. Quando você faz uma busca no Flickr por alguma palavra, como acha que ele encontra fotos relevantes? Porque alguém colocou títulos, descrições e tags apropriadas.

Eu costumava taguear minhas fotos apenas ao subí-las no Flickr. Agora, usando a combinação das tags do Lightroom e o metadata das fotos, não preciso mais. O Flickr interpreta o EXIF e automaticamente salva as tags, sem que eu tenha que fazer tudo de novo. Assim, tenho tudo organizado no meu computador e online, do mesmo jeito.

Explore

A combinação EXIF+Flickr também é útil para aprender mais sobre as fotos que estamos vendo. Se o autor torna o metadata público, você pode descobrir informações técnicas importantes sobre a foto que está vendo.

O link fica no canto inferior direito da página da foto

Acessando o metadata alheio

Além disso, ao esbarrar em um novo usário do Flickr, confira as tags dele para ver quais assuntos ele mais retrata, é divertido. Essas são as minhas tags mais populares.

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2 responses so far, want to say something?

  1. bwb0de says:

    Hehehe! Muito boa a explicação!

    Você sabe me dizer como posso verificar se um programa grava as informações de tags na metadata de arquivos? É que uso o F-SPOT, padrão de do Gnome no Linux, mas são sei se isso acontece…

    Uma vez exportei fotos com tags para o Flickr e as tags remotas foram todas apagadas/substituidas pelas que estavam definidas no F-SPOT…

    Um abraço!

  2. Fernando Mafra says:

    Eu só saberia comparando o antes e depois. Abra o arquivo em outro programa primeiro e verifique as tags. Depois de editá-lo no F-SPOT olhe o que ele modificou.

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